•¨`*• Contos de Léa •¨`*•


14/06/2005


Ganesha

...Eis Ganesha...

...Trazendo proteção e prosperidade...

*** Beijos ***

Léa

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 14:02:44
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Boa Tarde...

Boa Tarde a todas...

Publicado o conto "Laura".

UFA!!! Até que enfim. Rsrsrs.

Depois de algumas promessas, eis o conto completo, espero que apreciem esta estória.

Perdoem-me todas a demora, após algumas instalações e configurações esta "budega" , ops... quero dizer, este BLOG, resolver funcionar novamente.

Fiquem em paz

Léa

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:57:56
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Conto "Laura"

Até quando Laura? (o início)

Nunca fui do tipo que acreditava em “amor à primeira vista”. Essa frase sempre soou como fala de um filme de amor, daqueles bem hollywoodano. Talvez eu acreditasse em “desejo a primeira vista...” Afinal, tinha como colegas de trabalho, quatro garotas bonitas em minha loja, e, uma delas por sinal, mexia com meus instintos mais sacanas. E apesar de ter insinuado-me a ela, alguma vezes, ela não dava a menos bola pra mim.
E foi assim, num desejo a primeira vista, que começou minha história com Laura. E que desejo, daqueles que fazem qualquer mulher perder a fala.
Eu estava saindo do banco, com uma tonelada de contas nas mãos, aliás, como toda Segunda-Feira, o tempo lá fora preparava-se para mais um temporal de verão. Eu, nem um pouco a fim de tomar chuva, sai correndo do banco, desci as escadas, o sinal abriu e atravessei a rua com pressa, sem olhar para os lados, quando de repente:
BUM.
Dei uma trombada enorme numa garota. Lá foram-se minhas contas para o chão. E os papéis e a bolsa da garota também.
- Desculpe! A culpa foi minha. Eu não a vi. Disse a garota com a voz mais gostosa que meus ouvidos já tinham presenciado. Uma voz forte e séria.
- Eu que peço desculpas. Estava querendo fugir dessa trovoada e acabei derrubando suas coisas.
Abaixamos-nos para juntar nossas coisas. Parei de respirar por um instante. Ela falava e pedia desculpa sem notar que eu tragava profundamente o seu perfume.
- Meu Deus! Resmunguei.
- O que foi? Perguntou a garota.
- Nada... é... a chu... va...
Tentei disfarçar a sensação que corria em minhas veias.
- Vamos para o meu carro, quero dizer, pra arrumar esta bagunça, está começando a chover.
- Vamos. Onde está seu carro?
- Ali. Foi só o que pude responder.
Entramos no carro, liguei o ar, pois apesar da chuva, estava um calor insuportável.
Começamos a separar as contas todas úmidas.
- Este é seu. Disse.
Estendi minhas mãos geladas, peguei minhas contas, que ela fazia questão de separar, e toquei em sua mão delicada, ela fitou-me por um instante, deu um suspiro abafado, como quem tenta disfarçar e puxou a mão rapidamente. Senti meu corpo ferver e meu rosto afoguear. Um desejo enorme tomou conta de todo meu ser.
- Você está bem? Perguntou ela meio sem jeito.
- É, estou. Acho que sim.
- Eu sou Laura. E você? Qual seu nome?
Laura. Que nome doce. E que perfume.
- Meu nome é Julia. Mas todos me chamam de Ju.
- Julia. Tem certeza que você está bem?
Olhei para minhas mãos tremulas, as contas molhadas, dei um suspiro e disse.
- Estou bem sim. Acho que só estou com fome, já é tarde e ainda não almocei.
Laura olhou no relógio, abriu a bolsa, mexeu em alguma coisa, fitou-me novamente e disse:
- Eu também não almocei ainda, tem um restaurante aqui perto onde costumo ir. Você não está com uma cara boa, deve estar mesmo com fome. Não quer ir almoçar comigo?
- Eu... eu... é... pode ser. Boa idéia.
Eu mal podia acreditar no que ouvia. Aquela voz doce, saindo dos lábios mais carnudos

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:53:22
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Conto "Laura"

e desejáveis que já tinha visto convidando-me para almoçar. “Deve ser meu dia de sorte”. Pensei. “Que mulher bonita, cheirosa”
Enquanto dirigia sentindo ao restaurante, Laura falava sem parar. Eu bebia aquela voz. Dividindo o olhar entre o transito e suas pernas, acabei não resistindo e usei o velho truque.
Passei a marcha, quando o farol abriu, e rocei suavemente meus dedos naquele par de coxas maravilhosos. Fingi que tinha sido sem querer, ela fingiu que eu não tinha feito nada.
“Aaaiiii Jesus, ela deve estar pensando que sou uma louca. Porque não consigo me controlar? Laura? Que nome é esse? Que mulher é essa? E pra que esse perfume todo? Só pode ser brincadeira dos Deuses. Ela ainda tinha que me convidar pra almoçar? Nem nos conhecemos?”
Sentamos, almoçamos, conversamos, eu tentando me controlar e ela fitando cada pedacinho do meu rosto rubro. Isso deixava-me completamente perdida. Mal conseguia responder suas infindáveis perguntas. Pedi a conta, pois já não estava mais suportando aquela situação, peguei a carteira, paguei a conta, saímos, voltei para o carro e perguntei se ela queria outra carona. Ela disse que não, que seu trabalho ficava ali perto e iria a pé.
Agradecemos, desculpamos-nos mais uma vez pelo incidente, despedimos-nos e seguimos nossos caminhos, quer dizer, Laura seguiu seu caminho, por que eu, perdi-me umas três vezes e dei duas voltas no mesmo quarteirão, enfim encontrei a avenida que ia pra minha loja, fazia vinte minutos que a tinha deixado e sentia uma enorme saudade. Ai, aquele sorriso!
Já estava começando a duvidar se aquele era mesmo meu dia de sorte. Tinha encontrado a mulher mais linda da cidade, sentido um desejo enorme por ela, e nem ao menos tive coragem de pedir seu telefone. Maldita timidez. Eu só podia estar lesada.
Eu precisava voltar para a loja urgente, só o trabalho conseguia fazer-me esquecer aquela visão. Aliás, só o trabalho pra devolver a mulher firme e confiante que existia dentro de mim.
- E essa agora?! Caramba! Hoje eu não chego na loja. Não é possível. Reclamei.
Há cem metros da loja, quem estava? Quem? Quem?
Não era Laura, bem que eu gostaria que fosse, na verdade era uma bliz.
Bom até ai tudo bem, a policia está fazendo seu trabalho, eu tenho habilitação, faz uma semana que paguei o licenciamento do carro, está tudo em ordem. Deve ser coisa rápida pensei.
Mal sabia os problemas que viriam a seguir.
- Encosta! Gritou um policial.
- Boa tarde senhora. Por favor, seus documentos.
Eu, com aquela cara de pressa olhei para ele, respondi ao “Boa Tarde”, abria o porta luvas, procurando a carteira, abria a bolsa, entreguei a carteira, olhei para o relógio, quando o guarda respondeu parecendo perceber minha pressa:
- É só rotina senhora. Logo será liberada.
Olhou meus documentos, olhou para mim, voltou a olhar meus documentos e disse:
- Saia do carro, por favor! Disse com a voz ríspida.
-Aconteceu alguma coisa?
- Desculpe, mas a senhora não se parece nem um pouco com a mulher da foto. Isso é algum tipo de brincadeira?
- Como assim? Perguntei sem entender nada.
O policial deu um sorriso de deboche, caminhou em direção a um outro policial, este, mais velho e com aparência carrancuda, conversaram alguma coisa, olharam minha habilitação e voltaram em minha direção.
- Dona Laura, por acaso isso é algum tipo de brincadeira de mau gosto?
- Como assim? Insisti.
- A senhora é sempre tão espirituosa?
Perai, do que aquele homem havia chamado-me. Dona Laura? Será que eu estava ouvindo coisas. Meus Deus, aquela mulher tinha mesmo mexido comigo, estava até ouvindo seu nome doce. E eu nem pedi seu telefone, como sou tonta. Pensei.
Fui interrompida de meus pensamentos confusos abruptamente quando o mais velho disse.
- Sabia que a senhora pode ser presa por isso?
- Juro que não estou entendendo nada, há algo errado com meu carro?
- Com seu carro não, mas com seus documentos falsos sim. A senhora pode ir presa se não conseguir se explicar direitinho.
Eu realmente não estava acreditando naquilo tudo, não podia ser, naquele momento eu não sabia se era realmente sorte ou azar, disse ao policial que minha loja fica ali bem pertinho, que poderíamos resolver tudo, eu tentava fazê-lo acreditar que tudo seria explicado em instantes, mas na verdade, nem eu estava mais acreditando em mim. Entrei na loja e nem cumprimentei as meninas, que olharam-me sem entender, fui em direção a minha sala seguida de dois policiais, mais parecendo uma criminosa. Que situação.
Laura e eu, lá no restaurante, almoçando tranqüilas, conversando deliciosamente, trocando olhares, ouvindo o som da chuva, o coração disparado, confusas com aquelas sensações, uma atração enorme, o toque rápido e suave das mãos, aquelas pernas, e eu... Nem poderia ter dado-me conta, estava tão compenetrada em seu olhar, deliciando-me com sua voz, que nem percebi que trocamos nossas carteiras ao rachar a conta.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:52:45
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Conto "Laura"

Após aquele episódio constrangedor e, ao mesmo tempo, engraçado, acabamos tornando-nos mais próximas, pois Laura foi até a loja, levou minha carteira, eu entreguei a sua, o policial foi embora, e nós, ficamos ali em minha sala por um tempão rindo de toda aquela situação, conversando, e toda a minha pressa, tornava-se sem importância com sua presença.
Algumas semanas depois, acabei por amar toda aquela confusão. Laura e eu começamos almoçar juntas seguidamente, a atração tornava-se cada vez mais forte, vez em quando, eu arriscava tocando sutilmente em suas pernas ao mudar a marcha do carro, ou tocava em suas mãos como se fosse sem querer, Laura parecia gostar, pois não repelia aos meus toques e ria baixinho quando eu o fazia.
Senti que poderia ser mais que amizade da parte dela, pois sempre que dava minhas investidas, ela demonstrava gostar. Dois meses passaram-se, o desejo por Laura só fazia crescer em meu íntimo, mas ainda não tinha coragem de declarar o que sentia, mesmo louca para tê-la em meus braços, eu gostava de toda aquela conquista, sentia-me viva novamente. Desde o começo senti uma atração forte por Laura, desde “a trombada” na porta do banco.
Alguma vezes Laura insinuava-se, abusava das pernas belas, levantava um pouquinho a saia fingindo coçar alguma coisa que eu não conseguia ouvir direito. Lançava-me olhares cheios de desejo. Provocava-me de forma abusada. Até que num de nossos encontros, tomei coragem e disse nem sei com que força:
- Laura... você sabe que mais dia, menos dia... bom é...
- O que Ju? Interrompeu-me Laura com a aquela voz de tirar o fôlego.
- Você sabe o que vai acabar acontecendo não é?
- Ju...
- Até quando você vai me torturar Laura?
O silencio tomou o lugar das palavras, terminados nosso jantar e fomos para o carro, eu com o fogo correndo todo meu corpo e Laura de cabeças baixa. Coloquei uma música bem romântica, tentando atrair-lhe a atenção, tentando dar um clima especial, podia sentir que sua respiração aumentava, segurei firme o volante, mas não conseguia dar partida, meu corpo estava descontrolado. Percebendo meu nervosismo, Laura, segurou em minhas mãos, e perguntou:
- Ju, quer que eu dirija?
Voltei meu rosto em sua direção, fitei-a longamente, fixei meu olhar em sua boca e beijei-a com desespero. Segurei seu rosto com as duas mãos, como se pudesse povoá-la, saboreei cada pedacinho, brincava com minha língua, passeei por cada cantinho de sua boca deliciosa, quando percebi sua respiração ofegante, beijei-a ainda com mais força. Laura correspondia cada movimento, passando as mãos por minha pele ardente de desejo por ela e beijando-me com fúria.
- Vamos sair daqui! Ordenou.
Eu apenas balancei a cabeça num sim e sai dirigindo feito uma louca pelas ruas a procura de um motel, uma rua deserta, qualquer lugar que pudesse ficar mais à vontade com aquela gata deliciosa, quando ela sugeriu:
- Ju, vamos para minha casa, estou sozinha hoje, vire a esquerda no próximo quarteirão.
Enquanto “tentava” dirigir, Laura provocava-me ainda mais, como não bastasse o beijo pra acender meu corpo, passava as mãos em meus cabelos, em minha nuca, em meus seios e massageava sutilmente meu sexo, que aquela altura estava molhadinho. Eu não deixava por menos, e sempre que dava, passeava minhas mãos bobas nela também.
Nem sei como chegamos, mal podia lembrar.
Enfim, a sua casa, abrimos a porta e logo nossas bocas uniram-se num beijo desesperado e quente. Há muito eu desejava e aguardava por um momento mais íntimo com Laura.
Despimos-nos lentamente, peça por peça, entre um beijo e outro, deitamos em sua cama, completamente loucas, molhadas, insanas. Nua, parecia um anjo, ainda mais linda e apetitosa, não acreditava no que via, Laura, desejando-me tanto quanto eu a ela. Era quase um sonho.
Beijei sua orelha, ela suspirava, beijei a nuca, as costas, desci até seu bumbum e bejei-o. Laura resmungava coisas, gemia, respirava profundamente, não agüentando vê-la daquela forma, virei-a de subto, e comecei a sugar seus seios fartos, ela contorcia-se toda oferecendo-me cada parte daquela pele em chamas. Desci minha língua até sua barriga e fiquei ali, por uns instantes, desci mais um pouquinho, beijei sua virilha, as coxas, uma de cada vez, ela não suportando mais suplicou:
- Me chupa, pelo amor de Deus, me chupa, me lambe, me invade.
Nesse momento uma bola de fogo correu por meu corpo e cai de boca naquela xaninha gostosa, passava a língua em seu clitóris inchado enquanto enfiava o dedo naquele mar delicioso, fiquei ali, chupando deliciosamente por um longo tempo, Laura gemia, gritava, prendia a respiração, soltava, afundava minha cabeça em seu íntimo, voltava a gemer...
Eu, aproveitando cada segundo daquele momento mágico, quando ela estava quase gozando, deitei sobre seu corpo, abri em suas pernas, iniciei uma cavalgada incontrolável, dessa vez não era só ela, mas eu também gemia como uma louca.
Laura virou-me e começou a chupar-me, ora colocava o dedo, ora a língua dentro de mim, eu delirava, sentia um prazer enorme, incomensurável, descontrolado. Até que não suportando mais, Laura deitou sobre meu corpo, também cavalgando loucamente, encostou seu sexo no meu, esfregando cada vez mais rápido, tentando segurar o orgasmo, pra sentir junto a ela, dei um grito abafado, Laura olhou em meus olhos, aumentou os movimentos e gozou em cima de mim, gemendo auto, com a respiração acelerada, também gozei deliciosamente em minha gata. Deitamos abraçadas, trocamos um beijo longo, cheio de paixão, e amamos-nos mais uma vez.
Dormimos ali, abraçadas, com a nudez exalando o cheiro gostoso. Com o coração mais calmo, apenas sentindo a brisa e o compasso de nossas almas.
E eu, que nunca fui do tipo que acreditava em “amor à primeira vista”, encontrava-me ali, abraçada a pessoa mais doce que já tinha conhecido, e que tomava conta, agora, do meu coração.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:52:12
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Conto "Laura"

Até quando Laura. A família

Fazia só um mês que Laura e eu estávamos namorando e eu não suportava mais ter que ficar mentido a minha família, dando desculpas esfarrapadas, dizendo um dia que ia há uma festa, no outro que tinha ficado na loja até tarde e blábláblá.
Até que um dia minha mãe chegou pra mim e perguntou:
- Vai dormir fora outra vez?
- Não mãe. Volto para casa. Prometo. Respondi.
- Filha, acho que já é a hora de conversarmos. Me fala? O que está acontecendo com você?
- Nada mãe. Relaxa.
- Ju... Você tem agido muito estranha ultimamente. Sempre cheia de segredos, telefonemas misteriosos. Tem alguma coisa haver com aquela moça que liga aqui em casa não tem?
Pronto. Estremeci de cima em baixo. E agora o que eu digo? Pensei.
- Não ando estranha não, está tudo bem mãe. Aliás, nunca estive tão bem.
- Então porque não me conta o que anda acontecendo com você? Pra que tanto segredo comigo filha? Fala? Disse ríspida.
- Tem certeza que quer saber mãe? Eu não acho que vai entender, mas se realmente quiser saber... Olha mãe, melhor deixar pra lá, eu estou bem e volto pra dormir em casa, tenho que ir estou atrasada e...
- Atrasada pra encontrar com quem Julia? Interrompeu-me com os olhos cheios de fúria.
- Pra encontrar Laura. Respondi com raiva.
- Eu sabia, só podia ser mesmo. Você pensa que me engana, mas eu não sou tão idiota quanto me julga ser Julia.
Olhei pra minha mãe, com seu ar de reprovação, cheguei a suar frio. Meu Jesus! E agora?
Sentei ao lado dela, olhei firme em seus olhos e sem saber com que coragem disse da forma mais franca que minha alma pode fazer:
- Mãe, eu não a julgo uma idiota. Desculpe se me expressei mal. Mas me fala uma coisa. O que a senhora quis dizer com “eu sabia?”
- Eu desconfiava que você estava tendo um caso com aquela uma. Gritou minha mãe.
- Mãe, pra que essa raiva por uma pessoa que a senhora nem conhece? E além do mais, “aquela uma”, há quem a senhora se refere chama-se Laura e ela é minha namorada. Eu a amo e ela a mim! Disse com a voz grave.
Sai depressa, fechei a porta em minhas costas e fui andando pelas ruas, pensando naquela conversa difícil, tentando entender de onde tirei forças pra declarar tudo o que eu mais queria. Segui vagando, naquele inicio de noite, sem dar-me conta pra onde iria. Pra meu alívio, ouvi uma buzina atrás de mim. Despertando daquele pesadelo, olhei bem devagar, com os olhos úmidos, era Laura, em meu socorro, como se tivesse ouvido meu desespero.
Atravessei a rua, entrei no carro, dei-lhe um abraço e tentei disfarçar a tristeza. Não conseguia parar de pensar em minha mãe e nossa conversa. Recostei-me no banco do carro, dei um suspiro profundo, daqueles que fazem doer à alma, fechei os olhos, tentando desvencilhar a dor. E assim ficamos, por longos minutos, em silencio.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:51:27
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Conto "Laura"

Laura, minha doce Laura, como um anjo, deitou-me em seu colo, segurou em minhas mãos e fez-me um carinho no rosto, aliviando o aperto em meu peito. Adormeci, ali, ainda deitada no colo de minha namorada, dentro do carro.
Alguns dias passaram-se, os desentendimentos entre minha mãe e eu, só aumentavam, tornando nosso convívio desagradável.
Meu pai procurava não intrometer-se em nossas discussões, como sempre, ele ficava neutro. Meu irmão mais velho também não dava palpites e minha mãe, sempre com suas alfinetas: “Aquela uma, aquela moça, aquela fulana”. Sempre culpando Laura por minha opção sexual, até o dia que perdi a cabeça e disse a ela que “Aquela fulana” não tinha sido a primeira em minha vida, bom... Foi à gota d’água pra nós duas, discutimos tão feio, que não tive coragem de voltar para casa naquela noite e dormi num hotel. Eu não poderia voltar e enfrentar mais uma discussão com minha mãe, já não tinha argumentos para explicar que tudo que eu queria era ser feliz com a pessoa que amava.
Minha Laura sempre confortando-me e dando-me apoio, dizia que ia passar, que a mãe dela agiu da mesma forma no começo, que com o tempo ela aceitou e assim seria comigo também.
- Ju, com o tempo ela se acostuma e aprende a respeitar suas escolhas. Tudo vai voltar ao normal. Dizia.
Mas eu já não tinha vontade alguma de voltar para casa. Apesar de sentir saudades de minha família, especialmente de meu Pai, sempre tão carinhoso comigo, comecei a sentir uma necessidade enorme de ter minha própria vida, minha casa e minha liberdade.
Foi ai que iniciei a jornada entrando e saindo de imobiliárias, entrando e saindo de casas e apartamentos... Eu realmente estava decidida e feliz com toda aquela agitação. Ter meu cantinho seria o máximo. Poderia ficar em paz e mais tempo com minha gatinha.
Estava muito ansiosa, mas tive que agüentar mais dois meses para comprar a casa, pois tinha que esperar a liberação de uma aplicação no banco, vender meu carro aumentar os horários de funcionamento da loja, pra não ficar a zero. Tinha medo que não desse certo, que o faturamento não aumentasse com as horas extras, assim também aumentaria as despesas com as funcionárias. Que nada, enganei-me totalmente, a loja sofreu uma reviravolta, o movimento aumentou em quase 60%, tive até que contratar mais gente para trabalhar. Uma moça e dois motoboys. Quase cinco meses entra negociação, compra, mobiliar a casa e aqueles pequenos detalhes burocráticos deste país.
Laura e eu continuávamos amando e apoiando uma a outra, mas nossos encontros tornavam-se cada dia mais difícil, não era sempre que ela podia dormir comigo no hotel, e eu, chegava tão cansada que só conseguia fazer dormir.
Tinha dias que a saudade de Laura parecia querer matar-me. Teve até uma vez, que perdi a cabeça e a noção de tudo a minha volta e tasquei-lhe um beijo ardente no meio da rua. Era difícil ver aquela boca desejando-me sem nada fazer.
- Você é doida! Disse Laura num sorriso bem gostoso.
- Doida não. Repliquei. Louca, por você. Quero você esta noite, pra inaugurar com estilo a casa nova.
Algumas pessoas que presenciaram nosso beijo ficaram chocadas, outras riram balançando a cabeça num ar positivo, teve uma mulher, já de meia idade, bem vestida que chegou bem perto e disse:
- Vocês formam um casal muito lindo.
Senti meu rosto afoguear, Laura riu, segurou em minha mãe e disse baixinho sorrindo.
- Eu te amo!
Ai que vontade eu tive de amá-la naquele instante. Fazia quase um mês que não ficávamos a sós. À noite Laura foi buscar-me na loja, já era tarde, eu estava ansiosa, cheia de saudades e desejos. Cada noite que passava longe da minha gata, era uma tortura maior.
Fomos pra tão sonhada casa, agora, seria nosso cantinho mágico, nosso ninho de amor.
É claro que Laura não deu-me tempo para mostrar todos os cômodos, um pequeno jardim, dois quartos, sala americana, toillet, muitas almofadas espalhadas pelo chão da sala e dos quartos e uma varanda muito aconchegante, que meu pai fez questão de decorar com variados tipos de plantas e orquídeas, sua grande paixão.
Laura jogou-me no sofá e beijou-me com doçura, começamos a acariciar nossos corpos num desespero tremendo. Convidei-a para um banho, ela aceitou é claro, dizendo:
- Eu faço qualquer coisa pra ter você nua em meus braços. Eu te amo Ju.
- Também te amo meu Anjo. Respondi.
Tomamos nosso banho gostoso, bem, na verdade mais beijamos-nos do que outra coisa.
Provoquei-a o quanto pude durante o banho, estávamos loucas de desejo, fomos para a cama, tirei sua toalha e beijei seu corpo, parecia que íamos pegar fogo.
- Ai que saudades, Laura que saudades...
Isso não é uma mulher, é um cinema... Meu Deus...
Acariciávamos-nos sem parar, sentia meu corpo flutuar, como uma pena ao vento.
A decoração, estilo colonial, aumentava o clima romântico entre nós. Queria fazer daquela, uma noite inesquecível... Coloquei uma música e fui até a cozinha dizendo:
- Tenho um presentinho pra você. Vai relaxando que eu já volto gatinha.
Abri uma garrafa de vinho e trouxe-lhe uma rosa.
Laura olhou-me sorridente. Passei a rosa em seu rosto, para que sentisse o perfume, segui por seu corpo, ela ria baixinho, com um olhar doce e malicioso. Abri a garrafa de vinho e comecei a umidecer seu corpo, bebia gota a gota, na pele macia, na nuca, nas costas, nos lábios, em seu íntimo. Laura suspirava cada vez mais, contorcia seu corpo e acariciava meus cabelos. Beijando e lambendo o vinho em sua pele, parei em sua flor latejante, o desejo consumia ambas com sofreguidão. Fiquei por um longo tempo assim, beijando e chupando loucamente, Laura gemia baixinho, sussurrava alguma coisa incompreensível, afagava meus cabelos, afundava minha boca em seu íntimo em desespero. Penetrei-a com delicadeza, e Laura foi ao céu deliciosamente. Seu corpo todo tremia ao eu toque. Subi e beijei sua boca enquanto continuava a massagear sua flor inchada, pequenos espasmos denunciaram outro orgasmo, aninhei-a em meu abraço terno para que pudesse descansar. Acariciando seus cabelos, beijei-lhe a testa. Laura, com os olhos cerrados, sorriu docemente, beijou-me a boca e tomou meu corpo, como se pudesse invadir-me a alma, embalou-me num ritmo quente, ascendendo ainda mais à paixão. Tomou-me suavemente nos braços e fez-me amor, como há muito tempo não fazia. Como uma fera adormecida em meu seio, explodiu a paixão num grito abafado pelos lábios de minha amada.
Eu era puro êxtase, emoção e carinho. Sentia uma felicidade gigantesca povoar minhas emoções. Abraçamos-nos ternamente, trocamos um beijo tranqüilo e adormecemos, com a felicidade iluminando a casa.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:49:16
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Conto "Laura"

Até quando Laura (O Romance)

Despertei, ainda embriagada do amor de Laura. Já era madrugada, a brisa trazia um cheiro de flores silvestres delicioso. Meu coração envolto ao cheiro de Laura, parecia querer sorrir, olhei para minha doce amada dormindo, parecia um Anjo, beijei-lhe os cabelos e fui até a cozinha preparar algo, estava morrendo de fome, e acreditava que minha namorada também, principalmente depois de gastamos tanta energia, fazendo um amor tão gostoso.
Na geladeira, ainda não tinha muita coisa, estava inaugurando a casa, e tivera pouco tempo pra fazer as compras. Comecei a fuçar por tudo, para fazer uma refeição bem gostosa pra nós duas.
Meu coração quase parou, no instante em que Laura surgiu na porta, sonolenta, vestindo a bela nudez que Deus deu-lhe, parei de respirar e fitei-a, admirando-a, eu poderia emoldurar aquela cena magnífica.
Mais linda do que nunca, sorriu pra mim e perguntou:
- O que você está fazendo amorzinho?
- Um lanchinho pra nós. Vem cá meu Anjinho. Me dá um beijo.
- O que tem de bom ai? Perguntou aproximando-se e beijando-me a boca.
- Não tem muita coisa, mas prometo que ficara gostoso. Gosta de carne grelhada? Perguntei.
- Adoro Ju.
Vinte minutos e já estávamos largadas nas almofadas no chão, com o prato nas mãos, como duas molecas, rindo e deliciando a felicidade uma da outra.
Arroz branco com salsinha, bife grelhado, alface e cenoura crua ralada, uma comida simples, porém com um sabor todo especial, por ser o prato preferido de Laura.
- Quer assistir um filme gatinha? Ou prefere uma música? Perguntei.
- Filme. Respondeu com firmeza. Como sempre fazia.
Assistimos ao vídeo, e dormimos outra vez abraçadas, como se pudéssemos proteger uma a outra.

Por alguns meses, essa era nossa vida perfeita, trabalhávamos muito durante a semana, com o coração na mão, a espera dos finais de semana deliciosos a procura de prazer, amor e paz.
Na maioria das vezes, tornava-se insuportável permanecer em casa sem minha doce Laura, principalmente quando ia dormir, meu corpo chorava sua saudade. Eu ansiava por Sexta-Feira à noite, pra ter minha namorada, bem pertinho, dormir abraçadinha a ela.
Sentia-me muito só. E essa era à parte difícil de ser independente e ter meu próprio lar. Apesar de estar amando ter minha casinha e meu cantinho para encontrar Laura, não estava suportando a solidão, geralmente, durante a semana, eu saia com amigos, com meu irmão e com as meninas da loja e ficava até tarde na rua, esperando o sono chegar pra não sentir solidão pela casa vazia. Com o passar dos meses minha mãe começou a telefonar, e aos poucos, voltamos a falar-nos. Minha mãe ainda não aceitava meu relacionamento com uma mulher, mas acabou por respeitar meus limites e minhas escolhas. É claro que ela não tocava no nome de Laura, mas sempre perguntava, “Como vocês estão?”, denunciado sua preocupação e deixando perceber que aquela cabeça matuta estava mudando aos poucos.
Meu pai sempre dando a maior força, visitava-me toda a semana, fazia manutenção no jardim e na varanda, e ficava por horas a fio proseando comigo e com Laura.
Um certo domingo, comecei a falar do nosso relacionamento com a minha namorada. Fui comendo pelas beiradas, pra não assustá-la e perguntei com a expressão mais séria que já tinha feito na vida:
- Laura, meu anjinho, quer casar comigo?
- O que? Respondeu atônica.
- É isso mesmo que você ouviu. Quer compartilhar sua vida comigo?
- Ju, você me pegou de surpresa.
- Se você não quiser ou achar que não é a hora, tudo bem eu vou entender. Só quero que saiba que eu te amo e sinto demais a sua falta aqui. Pensa com carinho.
- Ju, amorzinho, eu quero muito viver com você, também sinto sua falta, mas acontece que você me pegou meio desprevenida.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:48:45
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Conto "Laura"

Laura tomou-se em silêncio, olhando-me seriamente nos olhos, afastou uma mexa de cabelos do rosto e perguntou:
- Ju, você acha que podemos dar certo?
Senti um gelo subir pela espinha, tinha receio que minha amada prosseguisse com um “não” sólido. Respirei fundo, segurei em suas mãos e disse:
- Laura, meu amor, você lembra do dia em que nos conhecemos?
- Lembro, claro que lembro.
- Tinha tudo para dar errado, nos encontramos, em seguida nos perdemos, mas o destino tomou as rédeas da situação e nos encontramos novamente, no mesmo dia e acabou dando certo.
- Eu sei amorzinho. Respondeu. Mas e a sua família? O que você acha?
- Eu não sei como irão reagir, o que sei é que quero ficar com você Laura.
- Então? Vamos tentar de novo? Perguntei
- Vamos.
- Laura, quer casar comigo?
- Sim! Respondeu. Com um sorriso lindo nos lábios.

 

 

Até quando Laura? A Ansiedade

Foi difícil controlar a ansiedade, a saudade... Os dias pareciam-me intermináveis, tanta coisa a fazer, outras ainda a comprar, preparar, tanta agitação, e os dias arrastavam-se diante meus olhos e minha angústia. Um mês, e estaríamos morando juntas. Um mês que parecia um semestre.
Trabalho...
Trabalho...
E mais trabalho, pra afundar a cabeça nas preocupações da loja, tentar parar de contar os dias, tentar convencer o coração que logo a calmaria seria completa. Somente o trabalho fazia-me sentir forte e capaz.
Planejamos um jantar simples, pra compartilhar nossa felicidade e decisão a nossa família e alguns amigos mais íntimos. Seria difícil conversar minha mãe a participar do jantar, mas meu pai prometera levá-la, nem que fosse na marra, pois dizia ele, que ela tinha que estar presente num momento tão importante da vida de sua filha.
Às vezes, eu até estranhava a compreensão do Sr. Louis, meu pai, pois sempre achava que ele não aprovaria minha homossexualidade, para minha surpresa e alegria, meu pai não só aprovava como participava da minha vida com Laura, pois estava sempre presente, carinhoso e dedicado, visitava-me pelo menos uma vez por semana, com a desculpa de cuidar das plantas, mas na verdade Laura e eu sabíamos, que ele gostava mesmo e de ficar conversando conosco. Minha mãe, sempre arredia e turrona, fazia com que meu pai afastasse-se. Era uma mulher forte, eu admirava-a por isso, sempre sólida, nos momentos mais difíceis, ela continuava com a cabeça erguida e com a esperança fincada no peito. Mas a cabeça dura fazia-a sofrer muito, pois ela batia de frente com todos em casa. Por suas palavras duras foi que resolvi sair de casa, numa de nossas brigas, numa noite qualquer ela disse: “Isso é imoral minha filha, você não pode namorar uma mulher, é nojento”.
Senti a maior mágoa de toda a minha vida ouvindo aquilo, tentava compreender que era difícil para os pais, aceitarem uma filha lésbica dentro se sua casa, mas não aceitava a forma com que minha mãe agia, chamar a própria filha de imoral, dizer que era nojento, como ela poderia falar sobre algo que nunca feito, como poderia saber se era mesmo nojento namorar uma mulher, se nunca tinha amado uma. Ela nem mesmo percebia que eu estava muito feliz. Eu não compreendia sua raiva, mas procurava não enfrentá-la.
Como eu poderia imaginar...

E sai de casa, para meu alivio, meu pai apoiou-me, meu irmão também.
Um Sábado antes do jantar de casamento, Laura e eu saímos do supermercado, conversando, rindo, brincando felizes e ansiosas pela nossa união, encontramos minha mãe no estacionamento, ela não falou conosco, ergueu a cabeça e seguiu aos passos firmes, como se não tivesse visto-nos. Não suportando o desprezo dela, comecei a chorar ali mesmo, na presença de várias pessoas que passavam, Laura abraçou-me, numa tentativa de amenizar a dor, fez-me um carinho no rosto, afagou meus cabelos, meu coração doía.
- Isso não é justo Laura, eu não mereço tanto desprezo. Ela não pode me culpar por ter sido verdadeira com ela. Disse num desabafo, enquanto chorava abraçada a Laura.
- Calma meu Anjinho, isso vai passar. Calma. Não chore, por favor...
Enquanto Laura fazia o impossível para acalmar-me, eu chorava.
Os dias passaram, faltava um dia para o jantar, Laura e eu tínhamos muita coisa a fazer ainda, cuidar dos preparativos pro jantar, escolher uma roupa agradável para a ocasião e confirmar a hospedagem no hotel, tínhamos combinado de viajar por oito dias pelo menos, para curtimos uma a outra, uma curta Lua-de-mel, mas que seria maravilhosa e que afastaria-nos da correria e do cotidiano.
Passei parte do dia na loja, preparando e orientando as meninas, meu irmão iria para a loja todos os dias em minha ausência, é claro que com segundas intenções, pois quem não quer ficar ao lado de cinco garotas lindas e simpáticas?
Mal consegui dormir tamanha era minha ansiedade, quase 3:00 da manhã, perambulando de um lado para outro dentro de casa, sentia uma felicidade enorme por saber que aquela seria minha última noite sem Laura.
- Laura... Meu amor, minha Laura. Resmunguei baixinho, como se pudesse chamá-la.
Deitei-me novamente, numa tentativa inútil de atrair o sono, e só conseguia pensar em minha namorada, não resisti e mandei uma mensagem para seu celular. “O breve parece tão distante e a saudade quase me mata, te amo, boa noite”.
Para minha surpresa, Laura também encontrava-se acordada e respondeu a mensagem. “Logo estaremos juntas Amorzinho, também te amo muito, dorme em paz”.
Suas palavras doces confortaram-me e adormeci tranqüila, abraçada ao travesseiro que Laura usava e que logo seria seu em nossa casa.
Acordei cedo naquela manhã de Sábado maravilhosa, o Sol parecia querer presentear-nos com seu brilho. Meu primeiro pensamento foi Laura, com seu sorriso doce, um frio na espinha arrepiou-me da cabeça aos pés. Estava ansiosa pelo jantar, por nossa união, mas como tudo que é bom, dura pouco, logo lembrei que minha mãe não estaria presente, por sua cabeça dura e preconceito, um sopro do vento trouxe-me a tristeza no coração, e o dia que deveria ser o mais feliz de todo, estava agora acompanhado de um fio triste de esperança.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:48:18
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Conto "Laura"

Até quando Laura? A Trama

- Será que a “senhora” tem um tempinho pra mim?
- Eu estou com pressa, não posso conversar com ninguém agora.
- Não está com pressa, está com medo, não é? Me fala? Medo do que?
- Olha, eu não tenho medo de nada, nem de ninguém.
- Ah, tem sim. Eu aposto que tem.
- Ta legal, o que você quer conversar?
- Quero propor uma trégua e tentar entender o porque de tanto ódio.
- Olha, eu não sinto ódio de ninguém, muito menos de você, nem tenho motivos pra isso, quanto a trégua...
- Até posso compreender sua posição, mesmo achando absurdo, juro que posso compreender, mas o que está em jogo é uma vida, uma felicidade, um futuro, será que não pensa nos danos que sua atitude está causando?
- Por acaso alguém lhe mandou aqui pra me falar essas coisas?
- Não! “Alguém” não me mandou aqui, aliás, “alguém”, nem sabe que estou aqui. “Alguém” só faz sofrer e chorar a angústia que brotou no coração. Já faz quase um ano, não posso mais ver toda essa situação e ficar sem fazer nada.
- E o que você quer?
- Quero uma trégua, não só pra mim. Quero que saiba que tenho feito o impossível pra aliviar a barra e não suporto mais essa situação toda, e acho, bem no fundo, que você também não. Acho que se faz de difícil, mas que também está sofrendo. Isso pode mudar e estou aqui humildemente pra pedir que me ajude a terminar com esse sofrimento enorme. Por favor?
- Tudo bem, você tem lá suas razões. Mas não pensei que tivesse causado tamanha dor. Eu sinto muito. Eu só estava tentando preservar a felicidade de...
- Eu entendo, juro por Deus que entendo, mas, por favor, não prive sua presença em nossas vidas? Por favor? Sei que quando se trata de amor, a preocupação vai além de nossos limites! Eu também sou assim, às vezes exagero. Mas posso lhe garantir que dou e sempre darei o melhor de mim. Por que minha felicidade também está em questão.
- Eu lhe admiro por sua coragem em me procurar. Talvez você tenha mais fibra e caráter do que eu poderia imaginar.
- Por favor, ajude acabar com esse sofrimento?
- Você terá minha ajuda sim, só espero que me perdoe.
Abraçaram-se, longamente, enquanto vagavam em seus pensamentos mais íntimos, prometeram trazer de volta a paz, a união e o respeito.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:47:44
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Conto "Laura"

Até quando Laura. A trégua.

Estava tudo pronto para o jantar, meu pai e a mãe de Laura, Dona Neli, uma mulher com ar tão doce quando os de Laura, fizeram praticamente tudo sozinhos, meu pai decorou a casa com muitas rosas e lírios, organizou o espaço na sala, para que todos ficassem bem à vontade, enquanto Dona Neli preparava pratos maravilhosos com frutos do mar. O pai de Laura também deu uma forcinha, trazendo algumas bebidas e preparando um licor delicioso. Era um homem fino, falava pouco, com classe e bem educado, já a mãe de Laura falava pelos cotovelos, mas era bem divertida.
Foram todos para suas casas preparar-se para o jantar, era quase seis da noite, eu estava exausta, joguei-me na cama por alguns minutos, estava quase pegando no sono quando o telefone tocou.
- Alô!
- Ju, você está bem? Como foi seu dia?
- Laura que saudade. Estou bem sim Anjinho... Mas... Por onde você andou o dia todo?
- É segredo. Ju... Você já está pronta?
- Estou quase pronta. Vê se vem logo pra cá, pra me ajudar a receber os convidados.
- Ju, tenho uma coisa muito séria pra te dizer.
- Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu sim.
- Pelo amor de Deus Laura, fale logo.
- Aconteceu que... Eu te amo Amorzinho, eu te amo muito.
- Ah... Laura sua danada! Eu também te amo muito, mas não faz mais isso comigo, você ainda me mata do coração. Rsrsrs. Vem logo tá?
- Estou indo, te amo.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:46:02
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Conto "Laura"

- Também te amo gatinha.
Estava ainda de toalha, acabava de sair de um banho longo e relaxante quando a campainha tocou, sai correndo, pois sabia que Laura estaria para chegar, abri a porta e quase morri do coração tamanha foi à surpresa.
- Mã... Mãe???????
- Oi filha, posso entrar?
- Claro. Respondi sem entender nada.
Eu esperava qualquer coisa naquele dia, menos que minha mãe batesse a minha porta duas horas antes do jantar. Fiquei atônica, sem saber o que falar. Fechei a porta e fiquei parada olhando-a, com a cara mais idiota do mundo.
- Ju, precisamos conversar.
- Concordo mãe. Só não estou afim de outra briga. Não hoje. Por favor.
- Eu não vim até aqui para brigar com você filha. Olha, vamos até seu quarto, eu te ajudo a se vestir, posso fazer uma trança embutida em seus cabelos, enquanto conversamos.
- Tudo bem, se prometer não brigar comigo de novo?
- Prometo filha, prometo, eu só quero falar uma coisa com você.

A caminho do quarto, minha mãe fez uma breve inspeção por todos os cantos da casa, como quem decora tudo ao seu redor, ao chegar no quarto, parou diante uma foto enorme de Laura que estava num quadro, acima da cama, ficou olhando seriamente e disse:
- Você gosta muito dessa moça não é mesmo?
- Mãezinha, “essa moça” tem nome. E eu não gosto muito de Laura, eu a amo demais.
- É engraçado como você se refere a sua namorada, sempre pelo nome, nunca como “ela”, “dela”. Retrucou.
- Me refiro assim, por que Laura não significa “ela”. “Ela” significa qualquer outra mulher sem importância, Laura significa tudo na minha vida. Nunca vou me dirigir a Laura como um substantivo. Laura é grande demais em minha vida para ser tratada de forma despercebida.
- Julia...
- Mãe, eu até entendo sua reação, mas preciso pedir que tente entender que fiz uma escolha e estou bem assim.
- Eu não quero que sofra filha, por nada no mundo, eu queria te ver feliz, cheia de alegria e com aquele sorriso gostoso que você tinha quando era menina.
- Mas eu sou feliz mãe, como nunca fui antes, não acho que a senhora tenha o direito de tentar guiar minha vida e mudar meu destino.
- Filha eu só não queria que você passasse pelo mesmo sofrimento que passei quando era jovem. A desilusão de um amor pode mudar o curso da sua vida. Eu só quero o seu bem.
- Estou bem mãe, juro. Amo Laura, não consigo mais imaginar minha vida sem sua presença.
Minha mãe abraçou-me, com o ar mais sereno. Afastou-se dizendo:
- Eu te entendo filha. Termine de se vestir, quero arrumar seu cabelo, deixá-lo lindo.
A campainha tocou, abotoei o vestido e fui abrir a porta.
- Oi Amorzinho, demorei?
- Laura, por onde você andou o dia inteiro, você sumiu meu amor?
- Depois te conto. Disse Laura, beijando-me com paixão.
Eu havia até esquecido da presença de minha mãe, parada na porta do quarto olhando-nos.
Segurei o rosto de minha namorada com as mãos e beijei-a profundamente, um beijo cheio de carinho e saudade.
- Oi Dona Lucia, tudo bem?
- Oi Laura...
Laura afastou-se de súbito, caminhou em direção a minha mãe cumprimentou-a com um beijo rápido no rosto, voltou e beijou-me novamente.
Fiquei pasma, sem entender a reação das duas. Cumprimentaram-se como se tivessem sido amigas a vida toda. Olhei assustada para ambas, não esperava que minha mãe tratasse Laura tão bem, nem que Laura entrasse em surto fazendo aquilo.
“Agora minha mãe pira de vez e vai odiar Laura ainda mais”. Pensei.
Laura segurou-me pelas mãos, levou-me até o sofá e fez com que eu sentasse.
Sentamos e minha mãe fez o mesmo. Fiquei olhando para os lados, minha mãe e Laura olharam-me e deram um sorriso, fiquei confusa, sem entender o que acontecia. Milhões de pensamentos passaram em minha cabeça, mas não conseguia chegar uma conclusão plausível. Minha mãe abraçou-me, ternamente, como há tempos não fazia, senti um alívio gigantesco povoar meu peito, comecei a chorar baixinho.
- Filha, eu te amo.
- Também te amo mãezinha.
- Preciso ir agora minha filha, vou deixar vocês à vontade.
Laura colocou a mãe em meu ombro e fez-me um carinho. Minha mãe levantou-se, passou a mão em meu rosto e saiu.
- Laura estou um pouco assustada com a reação de minha mãe. Primeiro ela aparece aqui em casa de surpresa, depois cumprimenta você.
Ju... Amorzinho, eu disse que tinha uma surpresa pra você.
- Como assim?
- Sabe onde estive hoje?
- Não faço idéia, liguei pra você várias vezes.
- Estive com sua mãe, conversei com ela e pedi pra que não nos negasse sua presença.
- O que?
- Estou falando sério Amorzinho, pedi uma trégua, acho que ela entendeu que nos amamos e temos o direito de sermos felizes.
- Laura, você é doida.
- Sou doida sim Ju, por você, sou capaz de enfrentar qualquer coisa pra te ver feliz.
- Eu te amo Laura, mais que tudo nessa vida, não sei como teve coragem de enfrentar a fera.
- Olha Amor, ela pode até ser uma fera, mas hoje, parecia mais um gatinho com medo. Rsrsrs.
Trocamos um beijo e fomos para o quarto, Laura fez uma trança em meus cabelos já secos, a trança que minha mãe havia prometido fazer. Laura tomou um banho, vestiu um taier verde água, fez um coque nos cabelos molhados e deixou alguns fios soltos pelo rosto.
- Laura, minha doce Laura, você está linda! Deslumbrante!

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:45:35
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Conto "Laura"

Até quando Laura? O casamento.


Aos poucos, os convidados foram chegando e acomodando-se pela casa. Os primeiros foram os pais, os irmãos, (Luciana e Leandro, pois o irmão mais velho de Laura, Um tal de Fábio, que só vi uma vez, não pudera vir) e a prima de Laura, Carol, meu irmão, Liuzinho, as meninas da loja, (Marina, Viviane e Babi) que veio acompanhada de uma amiga, que trabalhava na mesma repartição que Laura, muito bela, chamada Jéssica, que não desgrudava os olhos de Carol, alguns amigos de Laura e por último, meus pais, fiquei um pouco surpresa com a vinda de minha mãe, apesar da conversa que tivera com Laura e depois comigo, achava que ela não viria. Mas para minha alegria, ela tinha vencido o preconceito e realmente aceitado a “trégua” que Laura oferecera.
Com um buquê de rosas brancas nas mãos, ela abraçou-me e beijou-me a testa, meu pai fez o mesmo, após abraçar Laura.
A casa estava com um ar agradável, todos elogiaram a decoração de meu pai. Exceto minha mãe, é claro, sempre rude com meu pai, trocavam poucas palavras, minha mãe mais isolada, procurava não enturmar-se e conversava o tempo todo com Luizinho. Dona Neli fazia o possível e impossível para que todos sentissem-se à vontade e para que não faltasse bebidas e refrigerantes nos copos dos convidados. Falante e sorridente, serviu o jantar na varanda, todos sentaram e jantaram em meio a conversas e brincadeiras, o pai de Laura ficou por horas contando histórias e fazendo-nos rir. Laura sentada ao meu lado na ponta da mesa passava o tempo todo pegando em minhas mãos e dando-me beijos no rosto, eu retribuía sempre, com outro beijo no rosto, ou fazendo um carinho suave com as mãos em sua face. O que parecia normal para todos, parecia uma tormenta para minha mãe, que virava o rosto a cada momento de maior intimidade entre Laura e eu.
- Laurinha acho que sua prima conquistou uma fã! Disse em seu ouvido.
- Ta brincando?
- É sério, dá uma olhada nas duas. Essa tal de Jéssica e a Carol. Acho que está pintando um clima. Rsrsrs.
Laura sorriu e passou a observar mais as duas garotas.
Minha mãe soltou um daqueles olhares estranhos e sérios com nosso riso. O pai de Laura, percebendo a feição de minha mãe, interrompeu o clima que tentava tornar-se tenso e perguntou:
- Minhas meninas pretender viajar não é mesmo? Que lugar escolheram?
Laura sorriu pra mim, segurando em minha mãe em cima da mesa e respondeu.
- Vamos tirar alguns dias de folga sim meu pai. Vamos para um hotel fazenda. Precisamos fugir um pouco do trabalho e desse transito horrível. A Ju está precisando descansar um pouco. Não é mesmo Amor? (Perguntou-me e seguiu dizendo) Eu entro em férias por um mês, já a Ju, acho que já está preocupada com a loja antes mesmo de viajar.
- Quantos dias pretendem ficar fora? Perguntou meu pai entrando na conversa.
- Oito dias, no máximo. Respondi.
O pai de Laura franziu a testa, piscou e disse.
- Quando Neli e eu nos casamos, ficamos vinte dias em Lua-de-mel, nos divertimos muito, mas ainda foi pouco, deveríamos ter ficado no mínimo um mês. Pois passa muito rápido. Disse beijando o rosto de sua mulher. – Não concorda comigo Neli?
- Concordo plenamente. Deveríamos ter aproveitado mais. Passa tão rápido. Respondeu Dona Neli.
- É verdade filha. Disse meu pai. Oito dias é muito pouco. Você está precisando descansar. Acho que deveria aproveitar as férias de sua namorada e tirar um mês só pra vocês. Você tem trabalhado muito.
Minha mãe deu uma olhada feia para meu pai. Num ar de reprovação e constrangimento por ele ter mencionado: “Sua namorada”.
Senti um frio na espinha. Laura percebeu e apertou minha mãe, que nesta hora já estava gelada e disse:
- Topa Amorzinho? Prolongar nossa Lua-de-mel?
- Eu bem que gostaria, mas tem a loja, as meninas, a casa... É...
- Não seja por isso naninha posso cuidar da loja pra você, fica fria. Interrompeu-me meu irmão com um sorriso bem safado.
- Mas não podemos ficar fora por um mês, seria um custo muito alto. Disse.
- Mas Ju podemos voltar e ficar aqui em casa mesmo, mas sem pensar em trabalho.
- Ehhh... Que menina mais viciada em trabalha essa nossa filha. Não é mesmo Lucia? Perguntou meu pai sorrindo, tentando infiltrar minha mãe na conversa.
- É. Ela puxou a você Louis. Respondeu menos séria. Para meu alívio.
Meu pai deu uma gargalhada e dirigiu-se a dona Neli dizendo.
- Olha, nós podemos ter vinte filhos, criá-los da mesma forma e todos saem diferentes. Não tem jeito.
- E eu não sei, criei quatro da mesma forma e todos parecem ser de planetas diferentes.
Todos riram com o comentário de Dona Neli, sempre despachada. Meu pai seguiu dizendo na maior intimidade com a mãe de Laura:
- É Neli, os filhos nunca são iguais, mas eu sou feliz por meus dois filhos, o Luizinho é um rapaz muito ajuizado, apesar de mulherengo e metido a roqueiro. E a Julia, essa é porreta, começou a trabalhar ainda menina, sempre me deu muito orgulho.
- Não é mesmo mulher? Perguntou dirigindo novamente a minha mãe.
- É verdade Louis. Limitou-se minha mãe, voltando a ficar em silêncio.
Meu pai levantou-se, com uma taça de vinho nas mãos e disse:
- Quero propor um brinde.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:45:01
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Conto "Laura"

Dona Neli levantou-se em seguida e fez o mesmo.
- Um brinde a felicidade de nossas lindas meninas.
Nessa hora eu já suava frio dos pés a cabeça, Laura apertou ainda com mais força minha mão e disse-me ao ouvido.
- Ai meu Deus.
Eu sorri para Laura, fiz um carinho em seu rosto e beijei sua mão, que parecia estar mais trêmula que a minha.
- Vamos todos brindar a felicidade e a força de vontade dessas duas a serem felizes e verdadeiras conosco. Disse meu pai segurando uma de minhas mãos. – Ju... Laura, quero muito que vocês sejam felizes, não me importa de que forma vocês escolheram suas vidas. Ju... Você sabe que eu sempre vou te apoiar, não é mesmo filha? Sabe que sempre pode contar com seu velho pai.
- Eu sei pai.
- Ahhh... Gente vamos parar com isso, eu to ficando emocionada. Disse a mãe de Laura com os olhos cheios de lágrimas.
Terminamos de jantar e espalhamos-nos pela casa. Dona Neli e minha mãe dirigiram-se a cozinha e deixaram tudo arrumado. Ficaram cochichando alguma coisa. Achei estranho minha mãe trocando mais que duas palavras com a mãe de Laura. Laura comentou comigo que também achou estranho. Mas deixamos as duas sozinhas na cozinha e fomos para a varanda. A maioria dos convidados foi despedindo-se desejando felicidade a nós. Ficaram somente nossos pais. Afastamos a mesa, colocamos a rede e deitamos abraçadas. Ficamos conversando por um tempo, enquanto nossos pais conversavam na sala e nossas “civilizadas” mães trocavam confidências na cozinha. Laura beijou-me com ternura e apoiou a cabeça em meu ombro. Ficamos ali, abraçadas, trocando caricias, Laura adormeceu, linda, como um Anjo num ar tranqüilo. Parecia uma criança.
Meus pais vieram despedir-se de nós, encontraram Laura adormecida ao meu lado, meu pai abaixou-se, deu-me um beijo na testa, desejou-me boa viagem e pediu para que eu desse um beijo em Laura por ele. Minha mãe fez o mesmo, passando a mão em meu rosto disse somente.
- Eu te amo minha filha querida.
- Também te amo mãe.
Minha mãe afastou-se caminhando em direção a porta e eu a chamei.
- Mãe?
- Oi.
- Obrigada por vir.
Os pais de Laura ficaram na porta da varanda olhando-nos abraçadas. Dona Lucia aproximou-se, fez um carinho na filha, Laura mexeu-se e procurou meu abraço, ainda dormindo.
- Vamos deixá-las em paz Lucia, não acorde a menina, ela deve estar cansada.
Saíram mandando um beijo estalado de longe e fecharam a porta em silêncio.
Fiquei olhando Laura dormir docemente. Meu coração estava repleto de alegria. Tinha sido um jantar maravilhoso, e a presença de minha mãe havia deixado-me ainda mais feliz.
Após uma hora de sono, Laura despertou com um sorriso lindo nos lábios.
- Meus Deus cadê todo mundo? Perguntou.
- Você dormiu meu Anjo, já foram todos embora. Mandaram-lhe um beijo.
- Que horas são Ju?
- Duas da manhã.
- Estamos sozinhas agora?
- Humhum...
Laura beijou-me, retribui ao beijo com loucura, estava cheia de saudades de Laura. Começamos a acariciar uma a outra, nossas mãos tornaram-se nervosas, bailando pela pele árdua, despimos-nos, bem devagar, com paixão, carinho, amor, desejo...
Encontrávamos-nos nuas, com os corpos ardendo, a Lua estava alta e o vento soprava docemente acariciando nossa pele, tentando sem sucesso, refrescar o calor que tomava conta de nossas almas, Laura acariciou meus seios, aumentando o desejo em meu íntimo.
Enquanto eu explorava cada canto de sua boca com a minha, Laura tomou-me em suas mãos mágicas, dando-me prazer, deixando-me completamente louca, insana, cheia de vontade, explodi, num delírio, fui ao céu, Laura prolongou ainda mais meu êxtase, massageando-me e invadindo meu corpo. Espasmos seguidos levaram-me ao infinito mundo de minha Laura.
Amei-a com o mesmo carinho. Por várias vezes, senti Laura delirando em meu corpo, insana, parecia não saciar sua sede, levei-a para o quarto, deitei-a na cama, a cama que agora não seria mais vazia de sua presença, amando-a com desespero, senti seu corpo estremecer ao meu toque, abaixei meu rosto, para que minha língua desse-lhe ainda mais prazer, percebi quando Laura já não poderia mais segurar, eu também estava implorando, louca para senti-la novamente, deitei em seu corpo latejante e cavalguei naquela mulher linda, que fazia-me perder o controle de tudo, eu tentava segurar, Laura começou a gemer baixinho, depois alto, mais alto, ficava cada vez mais excitada em vê-la chamar meu nome, senti quando uma umidade tomou conto da cena, entre suas pernas trêmulas, pus-me a invadi-la, devagar, depois rápido, e Laura gritou num orgasmo maravilhoso. Laura arqueava seu corpo, contorcia-se e gemia com a respiração entrecortada, senti um orgasmo magnífico quando Laura começou a apertar meus seios. Jogamos-nos exaustas na cama, suadas, molhadas. Laura sorriu, beijou-me os lábios suavemente e abraçamos-nos. Ficamos conversando por alguns minutos, trocando beijinhos, Laura falando sorridente, de vez em quando soltava uma gargalhada gostosa que chegava ecoar pela casa.
- Ju... Preciso saber de uma coisa. Mas estou com receio.
- Meu Anjinho, fale sempre o que lhe der na telha, eu gosto de saber o que pensa.
- Você seria capaz de quebrar tabus?
- Como assim?
- Sobre fazer amor Ju, você topa tudo?
- Meu Anjo, quando existe amor e respeito, vale tudo dentro de quatro paredes.
- Tudo mesmo?
- Tudo Laura. Mas me fala? Que tabu você quer quebrar?

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:44:33
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Conto "Laura"

 

- Eu tenho uma surpresa.
- Qual?
Laura levantou-se e foi até o banheiro, disse que ia pegar sua bolsa e já voltava, voltou séria, colocou a bolsa em cima da cama e tirou um pacote.
- O que tem ai amor?
- Espero que não se assuste. Trouxe um “brinquedinho”
- Um vibrador? Caracas! Você é fogo!
Dei uma gargalhada, de espanto e por achar engraçado. Laura olhou-me com uma carinha de safada e perguntou:
- Topa?
- Eu topo qualquer coisa com você minha linda. Eu te amo e te desejo demais.
Laura entregou-me o “brinquedinho” e pediu para eu vestir.
Vesti o tal “brinquedinho”, começamos a rir da situação, Laura interrompeu-me com um beijo delicioso, segurou em minha mão e guiou-me até seu íntimo. Levantei, cheia de desejo, peguei-a pela mão e levei-a até a escrivaninha, Laura sentou, abriu as pernas, convidativa.
Abaixei e comecei a chupá-la bem devagar, Laura gemeu e pediu para que eu usasse o “brinquedinho”.
- Ju... Vem por favor. Eu te quero.
- Uma bola de fogo subiu por minhas pernas, beijei-lhe com violência a boca entreaberta. Bailei minha língua por todos os cantos e penetrei-a devagar, com movimentos suaves, sua respiração acelerou. Aumentei os movimentos, num bailar delicioso dentro de Laura que arranhava minhas costas e gemia cada vez mais alto.
- Vem Ju... Vem... Vem dentro de mim.
Enquanto penetrava-a num ritmo descontrolado, apertava seu bumbum farto e arrebitado. Laura puxava meu corpo pra si, gemia, contorcia, resmungava frases mal terminadas em meu ouvido, percebi que o “brinquedinho” estava todo dentro dela, com medo de machucá-la, diminui, Laura quase sem fôlego disse:
- Não para! Pelo amor de Deus, estou quase...
Penetrei-a com mais força, Laura parecia uma louca, mexendo-se de um lado para outro. Abriu os olhos, abaixou a cabeça e ficou olhando eu invadi-la. Fiquei também olhando, eu estava tão molhada quanto minha deliciosa gata, sentia o vibrador, preso em minha cintura, como uma calcinha, roçar-me provocando-me, meu clitóris estava inchado de desejo. Comecei a sentir prazer e a gemer.
Laura deu um grito e disse ofegante:
- Ju... Vem... to sen-tin-do... Ve… Vem...
Laura estremeceu e pude perceber quando gozou como uma louca molhando-me as pernas e o chão.
- Laura, você é demais.
- Não Ju, você que é demais. Me fez sentir uma coisa muito louca.
- Vem, vamos deitar.
- Não dá, minhas pernas estão bambas. Acho que vou cair.
Dei um risinho e disse: - Não vai não sua boa, vem que eu te seguro meu Anjo.
Deitamos na cama, Laura parecia flutuar, olhando para o teto sorriu e disse:
- Obrigada Amorzinho. Eu te amo.
- Eu também.
- Ju, eu já te contei que fiquei amiga da minha sogra? Disse soltando uma gargalhada.
- Não me contou os detalhes. Conta agora?
- Eu fui até casa da sua mãe. No inicio ela não queria papo, mas concordou depois.
Laura contou-me com detalhes preciosos, a conversa que tivera com minha mãe durante a tarde que antecedia nossa união. Ás vezes eu ria do seu jeito, fazendo caretas e imitando-a. Conversamos por algum tempo, o dia estava quase nascendo quando dormimos. Aquela tinha sido uma noite longa, cheia de surpresa e alegria. Estávamos com muito sono e dormimos até quase uma da tarde. Quando acordei, Laura estava fazendo um café forte, senti o cheiro do quarto, vesti uma camiseta e fui para a sala. Laura sentou-se ao meu lado com duas canecas de café nas mãos e beijou-me o rosto.
- Bom Dia meu amor! Minha mulher! Eu disse.
- Você quer dizer Boa Tarde! Retrucou rindo. Beijou-me nos lábios e entregou-me a caneca.
- Vamos tomar café e arrumar as coisas. Temos uma deliciosa Lua-de-mel pela frente. Eu não quero perder nem um segundo. Sorri do seu jeitinho meigo e engraçado.
Bom, sorrir era o que eu mais tinha feito nas últimas vinte e quatro horas.
- Laura... O seu amor foi o melhor que me aconteceu em toda a vida.
- Idem! Respondeu com a expressão séria. Franziu a testa e olhando-me seriamente nos olhos, aproximou-se e beijou-me a boca.
Larguei a caneca de café nem sei onde, beijei-a com desejo, Laura retribuiu ao meu clamor. Fizemos amor ali na sala mesmo, as almofadas caíram espalhadas no chão. Unimos nossos corpos cheios de paixão e entregamos-nos ao delírio.
Tomamos um banho demorado, cheio de brincadeiras e gargalhadas, parecíamos duas crianças. Ligamos para o hotel onde tínhamos feito reserva e avisamos que chegaríamos atrasadas. Pegamos a estrada por volta das quatro e meia. Seriam quase seis horas de viagem, apesar do cansaço, estávamos muito felizes. Laura passou metade da viagem cantalorando. Eu tentava concentrar-me no trânsito. Laura toda serelepe, ia trocando de cd e tentando manter-me acordada, pois tínhamos tido poucas horas de sono e eu teria que dirigir sozinha, pois Laura não conhecia bem as estradas para o interior.
Minha gatinha acabou adormecendo, recostou-se no banco e dormiu profundamente o resto da viagem. Acordou há poucos minutos do hotel fazenda.

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:43:57
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Conto "Laura"

Até quando Laura? A Viagem


Aspirei profundamente o ar puro. Enchi bem os pulmões e uma paz invadiu-me por completo. Laura fez o mesmo imitando-me. Como sempre, adorava imitar as pessoas. Comecei a rir. Fomos para o quarto, eu estava tão cansada que nem reparei em nada ao meu redor, só pensava num bom banho e cama. Precisa urgente dormir, sem ter hora para acordar. Não só o trabalho, mas como os últimos acontecimentos, tinham deixado-me bastante exausta.
Joguei-me na cama ainda de toalha, Laura foi para o banho em seguida, só lembro-me de receber seu beijo em meu rosto, era quase meia noite, adormeci profundamente. Como uma pedra.
- Boa tarde Amorzinho!
Aquela voz parecia-me tão distante, vindo devagar, percebi que o Sol tentava entrar pelas frestas da janela, um cheiro delicioso de terra molhada invadiu-me a alma, o perfume de flor inundava o quarto, um cheiro de vida selvagem, de natureza, de liberdade.
Acordei devagar, parecia que não dormia há dias.
- Oi Anjinho... Que horas são?
- Você e essa mania de ser controlada pelo tempo hein “Dona Julia!” Relaxa Amorzinho. Estamos em férias. Lembra-se? Disse com um riso lindo e prosseguiu: - Você dormiu por quase quinze horas. Rsrsrs.
- Caracas! Acho que nunca fiz isso em toda minha vida.
- Você dormiu o que precisava dormir. Precisava descansar. Eu também dormi bastante Amorzinho. Vamos comer alguma coisa, estou com muita fome.
Levantei, chamei Laura para tomar um banho gostoso comigo. Saímos do banho, vestimos-nos e descemos para comer, eu também estava cheia de fome. Peguei o celular para ligar para meu pai e avisar que estávamos bem. Pedi a ele que telefonasse para a mãe de Laura e dissesse que estávamos ótimas.
Almoçamos, pois já era mais de três da tarde. Demos um passeio de uma hora pelas redondezas, voltamos logo para o hotel. Eu queria curtir o máximo de tempo com Laura. Tínhamos muito tempo ainda para passear e conhecer a cidade.
Passamos alguns dias trancadas no quarto fazendo amor e dormindo. Só no sexto dia, resolvemos passear pela cidadezinha. Andamos a cavalo pela primeira vez, num passeio tranqüilo, numa estrada de terra, em meio à floresta. Com a natureza envolvendo nossa alma. Purificando nossos pulmões.

Eu finalmente estava com o corpo e cabeça descansada, quer dizer, a cabeça descansada, por que o corpo estava sempre em ação, pois Laura não deixava-me quieta por muito tempo. Sempre com aquela frase em meus ouvidos: “Ju, to com uma vontade de fazer amor com você”. E é claro que eu não resistia ao seu chamado e amávamos-nos cada dia melhor.
Estava adorando a temporada de “não fazer nada”. Exceto fazer amor com minha gatinha e conversar muito.
Aos poucos íamos descobrindo os segredos uma da outra, descobrindo carícias que deixávamos-nos loucas de paixão. Era divertido descobrir e aprender a fazer amor com mais intimidade, com maior intensidade, devagarinho, íamos conseguindo vencer as barreiras e até mesmo prolongar o desejo uma da outra. Estávamos vivendo uma busca sem igual. Eu queria conhecer tudo de Laura, por fora e por dentro, passávamos horas deitadas na varanda do hotel revelando nossas intimidades. Laura contava suas histórias, suas aventuras amorosas na adolescência, contou-me sobre sua primeira vez. Eu gostava de ouvi-la falar. Sentia paz com suas gargalhadas. Ficava horas sorvendo sua voz, deliciando-me com seu jeitinho meigo e sapeca de narrar suas aventuras. Era capaz de mergulhar naqueles olhos verdes e perder a noção de tudo.
Eu, que não pretendia ficar muitos dias fora, acabei cedendo aos encantos de minha mulher, (se bem que era impossível alguém resistir aos encantos de Laura). Permanecemos por mais seis dias no hotel. Fomos a algumas festas típicas e divertimos-nos muito as cantorias que tinha no rancho do hotel, quase toda noite ficávamos a beira da fogueira ouvindo canções regionais.
Como um raio os dias passaram. Arrumamos as malas e caímos na estrada de volta para casa, agora, nossa casa. A casa que Laura ajudou-me a decorar, seria também o seu lar.

 

******** FIM *********

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:42:07
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Lua

Terminado o conto "Laura" e também o conto "Marina", breve estarei publicando-os aqui.

Beijos a todas

Léa

Escrito por Lea. (contosdelea@bol.com.br) às 13:39:15
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BRASIL, Sudeste, SAO SEBASTIAO, Juquehy, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Cinema e vídeo, Arte e cultura, poesia, literatura, game, viagens, conto