•¨`*• Contos de Léa •¨`*•


12/04/2005


Bocas úmidas.

 

Tu andas, pela praia, num final de tarde abençoado pelo pôr-do-sol majestoso, tu andas e fazes inveja as ondas que bailam na areia morna, pois teu caminhar é mais que um bailar, é uma peça de teatro, auditório cheio, repleto de olhares curiosos, muitos aplausos, como em “O lago dos cisnes”, encanta, apaixona, maravilha.

Tu andas, eu sigo, com os olhos rasos d’água, eu sigo teu passear, brincas com a maré, como uma criança, teu cabelo ao vento, o brilho do sol doura tua face, teu corpo todo, embriago-me de ti, tu vindo e minha direção, minha boca seca, as mãos suadas, as pernas trêmulas, prendo-me em teu olhar, palpito, tu te sentas na praia, ao meu lado, teu perfume inebria tudo ao redor, cumprimentas-me com um beijo tímido na face rubra, eu retribuo, ardo de desejo, saudade, vontade, tu percebes e sorri maliciosamente, eu abaixo a cabeça, olho para o mar, brinco na areia, tu percebes minha timidez, ergues tua mão levantando-me o queixo em direção aos teus olhos, tão atraentes, de um azul profundo, encantadores, perco o ar, a voz, a garganta trava, a boca arde, tento desviar, mas tu insistes, ergues novamente meu rosto, apenas olhas profundamente, dizendo tudo que eu gostaria de ouvir sem uma única palavra, vens em meu socorro, as palavras são desnecessárias, e o silêncio sabe como tomar as rédeas da situação.

Algumas pessoas passam, cumprimentam, mas não se aproximam, parecem perceber nossos olhares aflitos de saudade, parecem ouvir nossos corações querendo explodir. Tu levantas, ergue-me a mão, caminho contigo, ainda no mais profundo e gritante silêncio, levas-me pelas ruas, mãos dadas, toques suaves e desesperados, tu guia cada um de meus passos perdidos, saímos da praia, despedimos-nos do Mar, do Sol, dos olhares curiosos, caminhamos lentamente, sem destino, para qualquer lugar que seja sólido, deserto, descontraído, para qualquer lugar que seja breve, as almas tem pressa, o coração também, a saudade é imensa, o desejo incomensurável.

Meu corpo quer urgente o teu; e o teu o meu... Uma rua deserta, início de noite, a brisa não é capaz de acalmar a paixão e calor que consome-nos, mordes os lábios, teus olhos baixam-se aflitos rumo aos meus lábios, minha boca seca, o desejo, a vontade, a saudade, só aumentam, tuas mãos brincam, maliciosas por meu rosto, minha boca, meu pescoço, minha nuca, minhas costas arrepiadas, minha pele queima, meu olhar perde-se, eu estremeço... Adoeço, febre alta, a boca entreaberta, sedenta, louca por um beijo teu.

Provocas, prolongas, aflição, desespero, delírio. Teus lábios roçam meu pescoço, meu colo, meus seios... Mais delírio. Seguras minhas mãos nervosas, loucas para possuírem tua pele alva, encostas-me com fúria num lugar qualquer, abres meu zíper, tuas bailam por minhas pernas, minhas coxas, minha virilha, minha for implora, incha, umedece, queima, eu suspiro. Tormenta, provocação, sem noção do mundo ao redor, sem medo dos olhares curiosos e felinos esquecemos de tudo, o momento é único e não pode ser desperdiçado.

Soltas minhas mãos suadas, enlaço-me toda em ti, como uma fera, apoderando-se da presa, decoro cada gesto teu, passeio minhas mãos por teu corpo, caricias, sussurros, mordisco ali, aqui, acolá, tu gemes, agarras meus cabelos, suspiras ofegante, nossas bocas próximas, entregam-se num beijo apaixonado, repleto de loucura.

Bocas úmidas aprofundam-se, embriagam a alma, tua mão invade meu íntimo, desliza sorrateira por meu desejo já tão úmido, como em socorro, tua boca afaga meus gemidos, o desejo incontrolável, a sensação estonteante, minhas pernas tremem, tu seguras-me, apertas forte meu corpo e inicia um vai e vem delicioso em minha flor, eu não resisto e invado-te também, meus dedos exploram cada canto do teu desejo encharcado, tu gemes alto, estremece, continuamos juntas a invadirmos-nos, beijamos horrores, murmuramos palavras sem sentido, a respiração entrecortada, o coração descompassado, o cheiro feminino e doce exalando no ar, o tesão aflora por todos os poros, já não é possível controlar, já não há motivos para não permitir...

Explodimos num orgasmo maravilhoso, as bocas não suportam segurar o êxtase e gritam, juntas, um gozo destrói nossas forças, bambeiam as pernas, os braços, os olhos se perdem pelo céu, entre as árvores uma Lua faz força para aparecer, tentando espiar nosso amor, jogamos-nos, numa árvore qualquer apoiamos nossos corpos exaustos, seminus.

Eu te abraço, tu beijas-me, tento recompor-me, devolvo as roupas ao corpo suado, tu copias meu gesto.

Caminhamos agora mais tranqüilas, rumo ao ninho de amor que iniciou nossa história, não foram preciso palavras, a saudade falou por nós duas, os olhos compreenderam a vontade, e juntas, reiniciamos a jornada numa noite quente, longa e majestosa.

 

Escrito por GAY Inside às 22:36:44
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